Morro da Baleia
Alto Paraíso de Goiás, GO
Falésia de quartzito situada na região do Morro da Baleia, na Chapada dos Veadeiros, com mais de 30 vias esportivas distribuídas em cinco setores e amplo visual sobre o Cerrado.
Descrição
O Morro da Baleia é uma das formações mais reconhecíveis da paisagem entre Alto Paraíso de Goiás e São Jorge. A área de escalada fica na porção conhecida como rabo da Baleia, dentro da região do Mulungu, em área vinculada ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A falésia é formada principalmente por quartzito muito antigo, originado de sedimentos arenosos depositados há cerca de 1,5 bilhão de anos e posteriormente transformados em uma rocha bastante resistente. O entorno reúne diferentes ambientes do Cerrado, incluindo campos, cerrado rupestre, veredas e matas de galeria, além de vistas para formações como o Morro Batéia, a Serra do Ministro, o Peito de Moça e a região das Sete Lagoas e do Rio Preto. O desenvolvimento sistemático da escalada começou em 2021, embora o potencial da parede já fosse conhecido por escaladores anteriormente. Tomaz Bugio passou a articular a implantação do setor junto ao Parque Nacional e, em 4 de junho de 2021, ele e Mayron Ricarte conquistaram a primeira via, Legado Gigante. Nos meses seguintes, escaladores da Chapada dos Veadeiros e do Distrito Federal se mobilizaram para adquirir material, abrir trilhas, limpar paredes e conquistar novas linhas. O resultado foi o rápido crescimento do pico, que passou a reunir dezenas de vias de escalada esportiva. O Morro da Baleia também é um conhecido marco natural da Chapada dos Veadeiros, visível da GO-239, e a montanha é frequentemente citada com altitude próxima de 1.500 metros.
Acesso
Partindo de Alto Paraíso de Goiás, siga pela GO-239 em direção a São Jorge. Aproximadamente no km 12, entre à direita pela mesma estrada utilizada para acessar a Cachoeira Bona Espero. Depois de passar a entrada da cachoeira, haverá uma bifurcação; mantenha-se pela esquerda, seguindo na direção da Pousada Recanto da Baleia. Cerca de 500 metros depois, ao chegar à região da entrada da trilha do mirante do Morro da Baleia, vire à direita em direção ao Recanto da Baleia. Continue pela estrada, atravesse a cancela de arame deixando-a exatamente como foi encontrada e prossiga até o portão de acesso ao Mulungu. Depois do portão, que deve permanecer fechado após a passagem, siga pela estrada da esquerda e, aproximadamente 200 metros adiante, pegue a primeira estrada à direita. Cerca de 70 metros depois está a casa-base do Mulungu, onde os veículos devem ser estacionados sem bloquear a circulação. A partir da casa-base, continue pela estrada que passa por trás da construção por aproximadamente 700 metros até a entrada da trilha, identificada entre peças de eucalipto. A caminhada da entrada da trilha até a base da falésia possui aproximadamente 900 metros e cerca de 200 metros de ganho de elevação. A parte final é mais inclinada e pedregosa. O trajeto fica bastante exposto ao sol.
Confirme as condições de acesso antes da viagem.Recomendações
O uso de capacete durante toda a permanência na base e nas vias é especialmente importante, pois várias linhas são relativamente recentes e ainda pode ocorrer desprendimento de pedras ou quebra de agarras. Mantenha-se, sempre que possível, próximo ao traçado das chapeletas, onde houve trabalho prévio de limpeza e avaliação pelos conquistadores, sem interpretar isso como garantia de ausência de material solto. A área abriga grande diversidade de fauna; não perturbe animais, ninhos ou abrigos encontrados na parede. Vias com ninhos ocupados não devem ser escaladas. Buracos e cavidades podem abrigar aves ou marimbondos, com atenção especial ao trecho compreendido aproximadamente entre Canto de Xangô e Bacupari. Durante a seca podem ocorrer carrapatos, sendo recomendável uma inspeção do corpo após a trilha e novamente na volta. Observe cuidadosamente o solo devido à presença de serpentes. Não faça fogueiras e leve embora todo o lixo, inclusive resíduos orgânicos e pequenos fragmentos. Ao entrar no Mulungu, mantenha os portões e cancelas da forma como foram encontrados e estacione sem bloquear a passagem. Existe um banheiro seco próximo ao caminho do Mezanino; deve-se colocar serragem antes e depois do uso. Avise alguém sobre seu destino antes de sair, leve material de primeiros socorros e tenha conhecimento de procedimentos de autorresgate e atendimento em áreas remotas. A caminhada de aproximação possui forte exposição ao sol. Na parede principal, a sombra normalmente começa a avançar sobre a base entre meio-dia e 13h. Também é possível subir cedo, aproveitar as primeiras horas do dia e aguardar em local protegido até a parede entrar na sombra. Relatos recentes de acesso indicam que a estrada de terra pode ser percorrida por veículos comuns em condições normais, embora o trecho final exija atenção a irregularidades e buracos.
Créditos
O desenvolvimento do setor contou com o apoio do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, da Associação de Escaladores da Chapada dos Veadeiros, do GT de Escalada do Caminho dos Veadeiros e de numerosos escaladores da Chapada e do Distrito Federal. Tomaz Bugio teve participação central na implantação e abertura das vias, acompanhado por diversos conquistadores. O guia foi produzido com texto de Tomaz Bugio, design de Gabriel Parizoto, da Bags Imagens, e direção de Tomaz Bugio e Gabriel Parizoto. O material também reconhece o apoio de Luís Henrique, André Afonso e da comunidade que participou da abertura de vias, limpeza das paredes, marcação das trilhas, aquisição de chapeletas, instalação do banheiro seco, registro fotográfico e confirmação das graduações.
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